Estamos lendo, assistindo e ouvindo os intelectuais, alfabetizados e semialfabetizados, guerrearem contra o MEC e a Autora de um Livro didático, criado para orientação didática para diretores e professores de escolas em todo o País, contra o preconceito existente nas salas de aula entre alunos que falam a lingua formal e os que falam de forma errada, principalmente, pela passividade da maioria do quadro docente em aceitar tamanha perseguição!
Por que se colocar em um livro didático formas de se escrever e falar de maneiras erradas? Seria a mesma coisa de uma Secretaria de Segurança Pública de um Estado colocar em seu manual de combate ao crime as maneiras de como se planejar e executar um crime, e, ao mesmo tempo, informações para que os criminosos não cometam esses crimes! Ora, se está havendo, e há, preconceitos, por que não se combater, inclusive, em sala de aula entre professores x alunos, e, alunos x alunos? Quantas vezes censuramos autores de livros, famosos, que falam e escrevem de forma dificil, quase ilegíveis? Quem já leu , gostou e entendeu Euclides da Cunha? Ou Machado de Assis? Ou ouvi o intragável Ministro do STF, Marco Aurélio, primo carnal de Fernando Collor de Mello, por sinal, seu padrinho e indicador para esse cargo, onde saiu de um simples juiz do trabalho do Rio de Janeiro para ocupar esse mais alto cargo da justiça nacional! Portanto, devemos respeitar os que falam mal e os que falam difícil, porém, de forma educada, sem a presença de terceiros, dizer-lhes o que é o certo e o que é errado! Como uma professora, em plena sala de aula, na presença de vários alunos, toma a iniciativa de retificar um aluno que falou: “nóis vai” ou cassou o S em uma frase? Por sinal, como ouvimos, vemos e lemos pessoas , famosas, cassarem o pobre do S! E não me venham lembrar do nosso querido Ex-Presidente Lula, famoso em extirpar o S das suas frases, porém, eu, pelo menos, nunca o ouvi falar: “nóis foi”; “nóis vai”! Eu estou falando dos letrados! Por exemplo, o povo de são Paulo , com poucas exceções; fala: “quero vinte real de pizza”; ou “um SHOPS e duas pizza” Na minha Bahia, principalmente Salvador, o português popular, cada vez mais, incompreendido! É um vexame o que estamos assistindo! Essa trupe do axé inventam, todo o verão, umas novas gírias, horríveis e que, infelizmente, a nossa juventude vai nessa péssima onda! Até um dicionário, o “BAIÔNES”, foi inscrito por um carioca, radicado, há anos na Bahia, onde teve que elaborar um, pois “foi, também, para eu entender as minhas filhas e amigos”! Vamos alguns d’eles: “estou ferrado” (foi pego fazendo coisa errada); “armengue” (mulher ou homem feios); “peguei um avião” (está namorando com uma mulher ou homem bonitos); “tomei um toco” (deram-lhe prejuízo financeiro); “fiquei na bronca” (zangado com alguém); “peguei um voador” (deram-lhe um cheque sem fundo), “ seu motor” (motorista de ônibus); “peguei um bizú” (pegou um ônibus); “fumaçou” (pessoa que passou na sua vida e se foi, sumiu); “estou quebrado” (doente; gripado; etc.); “estou batendo lata” (sem dinheiro; zerado); “estou batalhando” (atrás de um emprego); “sem futuro” (bandido); “pregueiro” (gosta de beber e comer, no bar e em sua casa, mas não gosta de pagar e nem de leva-lo em sua casa. Infelizmente, apesar do Baiano adorar o carioca, aqui, quando se fala em pregueiro, logo, na mente, pensamos nesse extraordinário e divertido Povo); “batendo prego” (ganhando pouco e nada sobra). Portanto, em todo o Brasil temos a presença da linguagem informal, e, temos que combatê-la, mas de forma educada, planejada, orientada, sem preconceito, e não através da gozação; da humilhação; do professor, em plena sala de aula, humilhar o aluno que falou algo errado! Nesse livro, tão criticado, no meu entender, de forma preconceituosa, injusta, existe um capítulo , exclusivo, com palavras erradas, mais usadas, para que o quadro docente possa ter conhecimento e saber agir, de forma suscinta, corrigí-la!
Além da linguagem regional temos os termos importados, como os terríveis textos usados na internet, computador, etc.. Como é que se coloca “kkkkkkkkkkkk” para representar uma risada? Será que não poderia está escrito: ri e muito! 95% de frases na internet, principalmente, de jovens não entendemos! Parece uma linguagem de um povo distante! Mas, para terminar, dois conselhos: que esse livro não seja jogado fora, porque custou dinheiro do povo! Parece-me que são editoras querendo fazer milhões de livros para ganharem fortunas! Mas, pergunto-lhes: será que esse preconceito somente acontece em sala de aula? E no trabalho? E nas rodas de amigos e conhecidos? Portanto, esse preconceito está infestado em nossa Sociedade. Quando o cara fala ou escreve errado, logo é taxado de burro! Quantos preconceitos tiveram contra o ex-Presidente Lula, inclusive, por parte da mídia, onde diziam que o mesmo não poderia ser o Presidente do Brasil, e, no final, vimos que foi o melhor de todos eles, claro, para o Povo Brasileiro, menos a elite que gasta R$1.000,00 por um litro de vinho de safra histórica! Há dias um Chinês comprou, em um leilão, em Londres, uma garrafa de vinho do século XIX, POR U$70 mil dólares! Como é que Deus pode perdoar um elemento desse? Eu estou torcendo para que esse vinho tenha virado vinagre! Quantas vezes assistimos pessoas, formadas, retificarem pessoas na frente de outras, deixando-as constrangidas? Mas, vamos a uma historinha de um caso acontecido em uma prefeitura do interior do Rio Grande do Sul: três vereadores pegaram o jeep da Câmara de Vereadores e foram visitar à zona rural; no caminho, muita lama, o jeep ficou atolado; a notícia chegou na Câmara e ao Prefeito que fazia oposição a esses "parlamentares" que abusaram do bem público, mandou que os seus liderados da Câmara abrissem uma CPI, DENOMINADA "CPI DO JEEP ATOLADO". Seis meses de intensos debates onde se esqueceram do povo; da educação; da saúde; da segurança; etc., e tudo voltado para o JEEP ATOLADO! A oposição dizia que o JEEP SE ATOLOU: a situação dizia que o JEEP ATOLOU-SE; chamaram uma PERICIA OFICIAL, vinda de Porto Alegre, que durou seis meses, com o seguinte resultado: O JEEP SE ATOLOU-SE; Por que dessa conclusão,perguntaram as duas bancadas ? PORQUE O JEEP ESTAVA COM AS 4 RODAS ATOLADAS, E JUSTIFICARAM: se fossem as duas rodas traseiras o jeep SE atolou; se fossem as duas da frente o jeep atolou-SE, mas a verdade foi que as quatro rodas estavam atoladas, portanto SE ATOLOU-SE! Quem vai contestar essa perícia? ONDE ESTÁ A LINGUAGEM FORMAL OU INFORMAL DESSA PERÍCIA?
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